10/05/2018

Se há um ponto em que certamente todos concordamos e por onde gostaríamos de iniciar é quando dizemos que queremos um mundo melhor para todos.  Para nós, professores, a construção de um mundo melhor está intimamente ligada à educação que damos às novas gerações nas escolas deste país. A educação na escola, por sua vez, insere-se em um contexto muito maior, social e histórico, que a transcende e é de responsabilidade de toda a sociedade.  

Neste momento em que o Brasil passa por tantas mudanças, temos visto nossos direitos básicos como trabalhadores afrontados e, por isso, nos dirigimos à sociedade, buscando apoio para não perdermos conquistas que foram duramente adquiridas em nossa história.  

Há mais de vinte anos, sindicatos dos professores e escolas privadas mantêm, em negociação anual, a Convenção Coletiva de Trabalho, que vinha garantindo alguns direitos básicos aos professores, como por exemplo, o direito de nossos filhos estudarem onde trabalhamos; o acesso a um plano de saúde e delimitação do tempo de uma hora/aula, além de outros direitos que podem ser consultados com facilidade.

Neste ano, no entanto, não houve abertura do sindicato das escolas para essa negociação e esse documento está suspenso, em tramitação judicial. Não se pode aceitar esse retrocesso nos direitos conquistados. Lembramos que quando se precariza a profissão do professor, a democracia e o futuro de todo o país está em jogo. Mais ainda, coloca-se em jogo a qualidade do ensino nas salas de aula ao se extinguir direitos básicos que vêm assegurando dignidade e qualidade a nosso trabalho nas escolas.

Por isso, perguntamos: a quem interessa piorar a qualidade do ensino que resultará da precarização do trabalho dos profissionais da educação? Quantos jovens, depois de mais essas perdas, terão ainda interesse por esta profissão que há décadas vem sendo desvalorizada e descaracterizada? Quem ainda vai querer ser professor com as condições de trabalho cada vez mais precárias que nos vêm sendo impostas? Uma nação que deseja um padrão de desenvolvimento econômico e social amplo, qual seja, aquele norteado pela ciência e inovação, poderá abrir mão de seus professores?

Pedimos, por essas razões, apoio para continuarmos com o trabalho que fazemos com as crianças e jovens da nossa sociedade. Pedimos apoio e reflexão para, neste momento, termos assegurados nossos direitos e, para além disso, que lutemos juntos para restituir à educação seu lugar de honra neste país que tem pretensão de ser melhor do que é hoje.  

É hora de unirmos forças! É o que nós professores pedimos à sociedade e, em especial, aos pais de nossos alunos. Precisamos, todos, sairmos em defesa de uma sociedade mais justa e mais bem educada. Pedimos que neste momento em que as relações políticas, trabalhistas e até mesmo humanas se encontram fragilizadas diante de um cenário incerto, a sociedade pare e pense: o que será de um país que abandona seus professores? Pedimos também que a sociedade fique atenta e esteja conosco em nossas lutas. O momento é agora! Um país digno não se faz sem professores!

Professores e professoras do Curso e Colégio Anglo Leonardo da Vinci, apoiados pelo Sinprosasco.