05/10/2018

Por Diretoria do Sinprosasco

Finalmente chegou o momento! É a hora de escolhermos quem comandará nosso País por mais quatro anos. Parodiando os ufanistas de plantão: “É a Festa da Democracia!”… ou não?

Curiosamente, nesse momento tão caro para nosso País, nos deparamos com uma conjuntura que denuncia que nossa Democracia corre sérios riscos. Por anos lutamos para manter nosso povo vivendo sobre a égide da “liberdade de opinião, expressão e pensamento”; combatemos contra as injustiças sociais, muitas vezes sob o sacrifício de vidas de obstinados, tiranos, civis ou militares, que insistiam em impor pelo uso da força seus modelos de poder autoritários, caracterizado pela subtração de direitos dos menos favorecidos. Lutamos contra a garantia dos privilégios de uma pequena minoria em detrimento da perpetuação de um estado de miséria das populações mais carentes. Além da conservação da estrutura de poder herdada dos tempos dos Coronéis, condenando nosso País a décadas de atraso.

Nos últimos 15 anos entramos num ciclo de prosperidade comprovado por dados estatísticos claros: evolução na colocação do ranking das maiores economias do mundo, saltando do 13º lugar em 2002 para o 6º lugar em 2011. Diferentemente de outros momentos de crescimento econômico, avançamos profundamente no combate à pobreza, reduzindo em oito pontos o índice utilizado pela ONU e permitindo a ascensão de uma nova classe média que, segundo esse mesmo organismo, se houvesse a manutenção das políticas sociais adotadas, seria consolidada em tempo recorde; outro dado importante a ser destacado é a diminuição da desigualdade social calculada pelo índice “GINI”, o que demonstra que as medidas adotadas buscavam e caminhavam para a consolidação de uma modificação da infraestrutura econômica com reflexos positivos na estrutura social.

“Educação não é memorizar que Hitler matou 6 milhões de Judeus. Educação é entender como milhões de alemães comuns foram convencidos de que isso era necessário. Educação é aprender a identificar os sinais da história se repetindo”.

Outro campo que deve ser destacado se refere à Educação, quando alcançamos avanços significativos na ampliação do acesso aos mais pobres, sobretudo no Ensino Superior, até então um ambiente exclusivo dos mais ricos. Com isso, garantimos uma ampla cobertura no acesso a ambientes educacionais, além é claro, das políticas que permitiram o maior ganho salarial dos docentes, que contribuem enormemente para a melhoria na qualidade da educação.

Poderíamos citar outros números: aumento real do salário mínimo, redução da dívida externa, aumento significativo das reservas internacionais da ordem de 377 bilhões de dólares, desvalorização do dólar frente ao real, aumento quadruplicado dos lucros das grandes empresas, gerando um ciclo de prosperidade que se traduziu no aumento do poder de compra da população e no poder de resistência da economia nacional em um cenário mundial de crise e insegurança, entre outros.

Lamentavelmente esse ciclo de prosperidade foi abruptamente interrompido por uma insatisfação e desrespeito às normas democráticas após as eleições de 2014, quando o candidato derrotado não aceitou o resultado das eleições e juntamente com a parcela da população que não aceitava a redução da pobreza e a diminuição da desigualdade, afinal, como achar normal “estar no mesmo avião que a funcionária diarista?”, empenharam-se de corpo e alma na destruição dessa estrutura, utilizando-se das piores artimanhas possíveis e buscando nas mais repugnantes práticas políticas desestabilizar uma nação inteira em troca de um “projeto pessoal”, levando a uma clara cisão entre a população, expondo feridas ligadas ao preconceito étnico e regional, a uma declarada guerra entre “ricos do sudeste” contra “miseráveis do nordeste”.

O próprio presidente do partido derrotado, Tasso Jereissti, reconheceu o “desserviço” prestado: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a Democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Fomos engolidos pela tentação do poder”, disse.

Esse ambiente só se intensificou com as denúncias de corrupção no governo, isso que também deve ser apontado como um item positivo do período em questão. Não houve empenho do governo em impedir as investigações. Diferente do que dizem, não houve aparelhamento do judiciário.Onde um governo que indica sete dos onze ministros de sua mais alta câmara sofreria um impeachment e assistiria a prisão de seu maior líder? Percebe-se claramente as forças que se empenharam em promover a desestabilização do País.

Por obra do destino, esse quadro que se encaminharia facilmente para o domínio da força dos partidos que articularam o golpe contra o governo e a população, que avançou na perda de direitos trabalhistas fundamentais e no retorno de práticas contra os menos favorecidos, foi surpreendida com o surgimento de uma força perigosa alimentada pelo discurso do ódio, pela desesperança, pela promoção da antipolítica e por um Messianismo contemporâneo, além, de um movimento mundial de avanço do conservadorismo, questionando o funcionamento dos modelos democráticos e propondo um retorno ao fundamentalismo típico dos regimes fascistas do começo do século XX.

E aqui chegamos. O que iremos decidir no próximo domingo, dia 07, e quem sabe também no próximo dia 28, é qual modelo de País queremos. Aquele da intolerância, da xenofobia, da justiça com as próprias mãos, da homofobia, da negação à diversidade, do fim do pensamento crítico e da liberdade de expressão, em síntese da DITADURA, sem a construção de um plano de governo sensato e com a alimentação do ódio como combustível de suas ações ou de um projeto de governo sistematizado, comprometido com uma aliança nacional de recuperação econômica, da possibilidade de geração de empregos, do incentivo à atividade produtiva, da garantia dos direitos fundamentais da classe trabalhadora e do retorno à normalidade democrática?

Para nós a escolha parece simples: um projeto representa o que de pior foi produzido em nosso País. É resultado do medo, do antipetismo, da falta de reflexão da realidade social, da manipulação da mídia que estimula o desespero e o catastrofismo, a promessa mágica em acabar com a “bandidagem” e a corrupção com propostas simplistas. É, portanto, a antítese do que se espera de um Estadista de um País que se propõe e espera assumir um protagonismo regional e continuar em busca de crescimento. Em sua longa história política votou a favor de todas as medidas restritivas dos direitos dos trabalhadores, não aprovou um único projeto de interesse social e agora se coloca como o “salvador da pátria dos descamisados”.

A outra proposta apresenta mais consistência, tem um projeto de País, reconhece a diversidade e as diferenças regionais e vê na defesa da Democracia a única alternativa para recuperarmos o que foi perdido, sem sectarismo, sem opressão aos menos favorecidos e na promoção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Um país “justo dentro de suas fronteiras e soberano em sua relação com o mundo”. E é nisso que acreditamos e defendemos.

E esperamos que os brasileiros, especialmente os trabalhadores, possam reconhecer os sinais e exercer seu soberano direito de cidadania com civilidade, buscando defender seus interesses e reconhecendo nas duas propostas a que lhes oferece um Brasil melhor.

Texto publicado no jornal Portal Região Oeste: http://portalregiaooeste.com.br/o-que-o-sinprosasco-pondera-sobre-as-eleicoes-2018/