09/03/2018

Para aqueles que acreditavam que a Reforma Trabalhista seria um marco para a modernização das relações de trabalho no Brasil, os resultados apresentados até aqui deixam claro qual era sua verdadeira missão.

Além dos já conhecidos desrespeitos aos direitos básicos e essenciais da categoria dos professores (atraso em salários, falta de depósito de valores do FGTS, não cumprimento das cláusulas sociais das Convenções Coletivas), iniciamos agora uma nova fase, onde os patrões descaradamente “vestem as roupas” dos antigos feitores do período escravagista brasileiro e partem para o afrontamento físico.

Como o caso do Colégio Bela Vista. Após receber diversas denúncias de irregularidades com os direitos essenciais dos professores daquela Instituição, assédio moral e utilização inadequada de materiais didáticos, fomos surpreendidos com a denúncia do caso de ameaça de agressão física por parte do mantenedor da Escola contra um professor, demonstrando a postura tirânica e opressora dos donos da Instituição, que enxergam seus trabalhadores como verdadeiros escravos.

Após diversos contatos para tentar solucionar as questões o SINPROSASCO decidiu por uma intervenção direta utilizando um carro de som para denunciar o que estava ocorrendo de errado na Escola à comunidade escolar envolvida, quando, de modo surpreendente, nosso Diretor foi agredido na porta da Escola, supostamente por um “funcionário da Escola não identificado”, que não se furtou em subtrair o material de divulgação que estava em nossas mãos e depois, covardemente, se abrigou dentro de sua Escola, imaginando que seriam tratados da mesma forma. Situação registrada em Boletim de Ocorrência junto a órgão de Segurança Pública.

O que esperar de uma Instituição admite que um funcionário assuma tal postura diante de um Ato democrático de reivindicação de Direitos e respeito no exercício de sua profissão? A Escola não tem condições de identifica-lo ou teme por divulgar o agressor por outros motivos? Será que o educador dessa Instituição tem condições psicológicas de instruir as crianças dessa comunidade trabalhando com tanta opressão? Qual o compromisso que essa Escola tem com a qualidade em educação tratando seus profissionais dessa forma? Se o mantenedor agiu dessa forma em público o que deve ocorrer por “trás dos muros dessa Escola”?

O SINPROSASCO repudia de modo intransigente a atitude desse “Feitor” e atuará de forma implacável contra todas as injustiças e ilegalidades que estão ocorrendo contra os professores. Se agindo com truculência e violência contra nossos Diretores vão nos acovardar e impedir nossa atuação em defesa dos direitos de nossa categoria, estão enganados. Isso serve de combustível para arregaçarmos as mangas e continuarmos nessa luta contra a demolição de tudo o que a classe trabalhadora conquistou de modo legítimo.

Exigimos que o Colégio Bela Vista se retrate publicamente sobre a forma com que está agindo contra seus professores e, especialmente, pela agressão contra nosso Diretor. Que ele cumpra com as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho, que trate seus profissionais com o respeito que são merecedores e responda a sua comunidade qual modelo de educação pretende produzir: democrática cidadã ou repressora ditatorial.

Aos professores sugerimos que observem quem está ao seu lado e defina sua posição nessa luta, afinal, precisamos nos reconhecer enquanto classe, para evitar a precarização das relações de trabalho, em um cenário catastrófico que vai se mostrando cada vez mais propício à isso. E reforçamos que esse é apenas um caso, temos certeza que em outras Escolas essa prática é corriqueira e comum e somente com o reconhecimento da importância de seu Sindicato para seus representados o combate a situações como essa será possível.