Assédio escolar: bullying pode ser evitado, diz especialista

Assédio escolar: bullying pode ser evitado, diz especialista

novembro 30, 2019 0 Por editorsinprosasco

“É preciso envolver professores, diretores, as famílias. Ainda há um caminho longo a ser percorrido.”

Um dos maiores especialistas em bullying nas escolas, atualmente, é o psicólogo espanhol José Maria Avilés Martinez. Nesta semana, a revista semanal Época publicou entrevista em que Avilés, como é conhecido, diz que o problema passou a ser potencializado com a internet:

“O chamado cyberbullying coloca a vítima numa situação pior. Ao fazer os ataques, o agressor está distante, de certa forma seguro. Já a vítima não consegue prever o que vai acontecer. Pode até não conhecer a pessoa que a ataca. Isso não acontecia no assédio presencial”, diz

Avilés, no entanto, não é pessimista e acredita que a comunidade escolar – incluindo docentes, administradores, pais e mesmo escolares – tem como combater o bullying

PRIMEIRO, UMA LIGEIRA DEFINIÇÃO:

Bullying, ou assédio escolar, é a prática de atos violentos, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa, que podem causar danos físicos e psicológicos às vítimas. O termo surgiu a partir do inglês bully​, palavra que significa tirano, brigão ou valentão, em tradução direta para o português.

O bullying pode ser combatido. Imagem: Free Pik.

Confira a entrevista abaixo:

“O maior aliado de quem abusa é sempre o silêncio de quem está em volta”.
por Elisa Martins*

O bullying sempre existiu. O que o torna mais preocupante hoje?

Sim, é verdade que o bullying sempre existiu, mas a internet potencializou seus efeitos. O chamado cyberbullying coloca a vítima numa situação pior. Ao fazer os ataques, o agressor está distante, de certa forma seguro. Já a vítima não consegue prever o que vai acontecer. Pode até não conhecer a pessoa que a ataca. Isso não acontecia no assédio presencial, em que o agressor tinha de encontrar a vítima no pátio da escola. Seja off ou on-line, o bullying afeta diretamente a dignidade e o bem-estar emocional das pessoas. Nas escolas vemos como meninos e meninas, em casos extremos, podem morrer por causa do bullying. Agora, a sociedade começa a refletir mais sobre isso. Ele acontece por repetição, é persistente. Além de intencional, é planejado. Sua base é um desequilíbrio de poder. A vítima é sempre mais fraca, seja fisicamente ou por outros motivos. E o maior aliado de quem abusa é sempre o silêncio de quem está em volta.

Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicou que as chances de o bullying ocorrer em escolas brasileiras são duas vezes maiores do que a média registrada em 48 países. O que isso diz sobre o Brasil?

A situação no Brasil não é fácil. Há diferenças notáveis entre escolas privadas, que já sabem implantar programas de convivência, e as públicas. Por que o Brasil tem percentagens mais altas de risco de bullying? Porque está atrasado na implantação de programas de prevenção em relação a outros países. Sem uma ação contra ele, o bullying aflora. Todos os países que quiseram diminuir os índices de bullying nas escolas promoveram programas preventivos envolvendo alunos e professores. No Brasil, existe um corpo docente deficitário, sem formação suficiente para abordar esses temas. Principalmente no sistema público. Mas também percebo muito interesse, vontade de aprender. É preciso envolver professores, diretores, as famílias. Ainda há um caminho longo a ser percorrido.

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Nos Estados Unidos, uma cidade chegou a considerar multar os pais de alunos que fazem bullying. O que o senhor acha?

É uma gestão pitoresca. Mas há vários problemas. Não adianta jogar a culpa em um adulto, que pode querer proteger o filho, e proteger mal. Medidas punitivas e restritivas, como a de colocar policiais nas escolas, implementar castigos duríssimos a agressores, entre outras, não se mostraram efetivas a longo prazo. Os agressores também precisam de ajuda. A forma de lidar com o bullying tem de ser muito mais preventiva e compreensiva. O medo nunca educa.

De que maneira as escolas podem incentivar a quebra do silêncio em casos de bullying?

Para prevenir o bullying, defendo uma metodologia com equipes de alunos eleitos pelas turmas da escola, que podem ajudar os colegas nos momentos necessários. Isso gera uma estrutura positiva dentro das salas. Essas equipes geram um bom clima escolar e têm liderança e autonomia para agir quando os conflitos surgem. Estão disponíveis para que os alunos possam se aproximar e contar sobre os problemas. Claro que devem receber uma formação para isso, que as capacite para a identificação de conflitos, com técnicas de comunicação e de tomada de decisão, entre outras coisas.

Para concluir a leitura, acesse aqui.

Fonte: Fepesp